segunda-feira, 01/08/2011 | 04:35

Ah, não! Era você?



Quem nunca ouviu histórias mal-assombradas, sobretudo, se o local onde você trabalha o prédio é bem antigo. O prédio onde trabalho, pertence a uma dessas construções históricas do centro do Rio de Janeiro e histórias de assombrações é que não faltam. Reza a lenda da “rádio corredor” que aquele prédio antigamente tinha sido um IML e que o décimo terceiro andar, onde trabalho, era o necrotério. Mesmo com autenticidade duvidosa desta informação, esta já é mais do que suficiente para colocar “caraminholas” na cabeça das pessoas. Tudo bem que eu imaginava que as mulheres é que se impressionariam mais com essas histórias fantasiosas.

Um dia precisei ficar trabalhando até mais tarde, para concluir um serviço urgente, o que não é de costume acontecer. Ao finalizar o trabalho, fui até a outra sala avisar que eu era o último a sair, para que alguém pudesse vir me ajudar a desligar as luzes e o ar condicionado, bem como trancar a porta da sala.

O problema é que as salas tinham baias altas, que não davam para me ver, embora nunca tivesse percebido este detalhe. Ao abrir a porta desta sala, senti um silêncio e uma tensão fora do comum, que só fui perceber ao chegar perto do colega de trabalho (achei melhor preservar o nome da pessoa), ele dá um pulo da cadeira seguido de um grito histérico (são nessas horas que você conhece melhor a pessoa, quando ela se entrega).

- Aí, Leo! Era você?! (recuperando o fôlego) Que susto menino! Não faz mais isso. Eu morro de medo de assombração.

- Calma, sou eu... Você pensou que fosse quem? O Gasparzinho?

Confesso a vocês que não fiz por mal, com a intenção de assustar ninguém. A partir desse momento, para evitar que mais algum colega saia do armário ou mate alguém de susto, já começo a fazer barulho no corredor para avisar que estou chegando.
terça-feira, 21/06/2011 | 07:53

O ataque do cardume


Numa viagem a trabalho, como o evento acabava na sexta, eu e um colega de trabalho, aproveitamos que já estávamos em Recife, resolvemos esticar até a madrugada de sábado para domingo para voltar para o Rio de Janeiro. Desta forma, aproveitaríamos para conhecer as maravilhas que a cidade tinha a nos oferecer. Enfim, reservamos o sábado para passear e conhecer Porto de Galinhas.


E ir a Porto de Galinhas e não fazer o passeio de jangada até as piscinas naturais formadas pelos corais, é a mesma coisa que ir a Roma e não ver o Papa. Pagamos e fomos fazer o famoso passeio.

Vista linda, praia maravilhosa, um verdadeiro paraíso na terra. Cenário digno das melhoras produções cinematográficas. A jangada para ao lado de uma dessas piscinas naturais formadas pela combinação de corais e maré baixa. Cada piscina tinha um cardume colorido, que ficava preso devido a baixa da maré, viabilizando que os visitantes nadassem junto com os peixes.

Comecei a nadar hipnotizado com a beleza do cenário e do cardume que nadava perto. Um clima de paz e tranquilidade, até que, de repente, aqueles peixes pacíficos pareciam estar incorporados, e começaram a pular em cima de mim. Era peixe, na cara, na boca, no olho, enfim, era peixe em tudo quanto é lugar do meu corpo.

Quando consegui me estabilizar daquele ataque, olhei para cima, vejo o meu colega de trabalho jogando mais ração de peixe em cima de mim, com um sorriso e uma satisfação no olhor quase diabólicos. Foi então que descobri a razão da mudança tão abrupta de humor daqueles lindos e dóceis peixes das piscinas naturais de Porto de Galinhas.
quarta-feira, 25/05/2011 | 06:23

Uma boa desculpa


Quem é que nunca perdeu a hora? Tinha um compromisso cedo, uma reunião muito importante, e simplesmente esqueceu completamente dela. Comigo também já aconteceu isso.

Uma semana antes, meu chefe tinha me consultado se não haveria problemas marcar uma reunião uma hora antes do início do expediente, pois o fornecedor só poderia se reunir nesse horário. Como era novo no emprego, aceitei só para fazer aquela média com o chefe. Anotei na agenda do meu celular e apaguei da minha memória.

No dia da tal reunião, acordei no mesmo horário de costume para mais um dia comum do cotidiano de trabalho, até que peguei o celular. Nele estava a mensagem da agenda lembrando que era o dia de chegar UMA hora mais cedo.

Eu creio que, se eu tivesse algum problema cardíaco, teria infartado na hora. Se não morri ali, naquele instante, de susto, nem precisava procurar cardiologista porque meu coração tinha passado no teste com louvor.

Começa a correria, o coração acelara, a tremedeira chega, o raciocínio parece que resolveu sair de casa na frente para ver se chegava antes, enfim, é uma loucura tão grande, muito melhor que qualquer banho frio para despertar.

Apesar de tanto esforço e agilidade, só consegui chegar no trabalho 30 min depois da hora marcada. Que frustração! Mas não tinha tempo para desânimos, aliás, tempo era o que mais faltava. Subindo no elevador, ao me perguntarem qual andar eu iria, uma luz iluminou minha mente e veio a desculpa que eu precisava.

Já entrei cabisbaixo na sala do meu chefe, dizendo:

- Peço desculpas, sei que estou 30 min atrasado, mas eu não tive culpa. Pois no afã de chegar logo para reunião, peguei o primeiro elevador e entrei. Mas, para meu azar, ele estava fazio, pois ainda é cedo e não tem quase ninguém no prédio. Então, só conseguia apertar até o 5º andar, pois não alcançava no 25º andar. Estou a 30 min andando de elevador para ver se alguém entra e aperta o andar certo para mim.

Meu chefe ficou comovido, assim como os demais que estavam na reunião, e o esporro ficou esquecido. Porém, depois desse "fato", o painel dos elevadores foi abaixado e agora eu não posso mais usar essa desculpa. Tenho que chegar na hora! Tá vendo, nem sempre ter muita acessibilidade é bom.