terça-feira, 11/04/2017 | 06:09

Por trás dos super-heróis

Volta e meia me pego pensando como será o futuro com minha filha Luísa. Como será o seu comportamento, seu temperamento. Quais serão suas brincadeiras favoritas, suas histórias prediletas? O que lhe fará feliz? Brincaremos de tantas coisas: casinha, pique-esconde, amarelinha, bola, boneca, cavalinho... Lerei muitas historinhas para ela dormir, ou inventarei uma boa história de aventuras com direito a príncipes e princesas. Imitarei vozes de personagens e quem sabe brincaremos de peças improvisadas. Essa relação saudável que teremos será sempre pautada no respeito, na sinceridade e no amor, gerando frutos de confiança e cumplicidade. Como para toda criança, os seus responsáveis passam a ser seus exemplos e espelhos. Como é gostoso você sentir no olhar de seus filhos o orgulho de você ser seu pai. Em sua imaginação fértil, somos todos super-heróis que estarão sempre ao seu lado para protegê-los. Somos pessoas possuidoras de um conhecimento imenso de tudo. Somos fortes e jamais erramos. Na contramão desse pensamento, vem um turbilhão de outros pensamentos e incertezas a respeito desse “grande herói” que posso ser. Muito em breve minha filha será bem maior que eu, o que me impedirá de fazer diversas brincadeiras e atividades que pais costumam fazer com seus filhos. Carregar no colo. Brincar de jogar para o alto e depois agarrá-la. Levá-la na cacunda. Levá-la na garupa da bicicleta. Segurá-la na piscina se esta não for rasa. Levá-la mais pro fundo no mar quando formos à praia. Ajudá-la a pegar coisas no alto. Que tipo de referência de super-herói serei? Homem-formiga? Professor Xavier? Como representar no imaginário da minha filha pessoas capazes de fazer tudo se desde cedo ela saberá que seu super-herói tem muitas limitações? Será ruim? Não! Toda essa limitação é na verdade uma grande bênção de Deus. Sim, uma grande bênção! Desde de bem novinha, minha filha saberá que todos nós temos nossas limitações, nossas dificuldades, até mesmo os “super-heróis”. Isso não é motivo de vergonha ou de se sentir inferior a ninguém. Sem grandes esforços, a Luísa irá entender coisas que muitos levam anos para aprender ou nunca aprenderão. Nossos “super-heróis”, ou melhor, nossos pais, ou as pessoas que cuidam da gente, também são frágeis. Também precisam de carinho, erram, possuem diversas limitações e precisam da nossa ajuda. Minha filha saberá que nem sempre seu pai poderá lhe ajudar em todas as situações, ao contrário, muitas vezes sou eu quem precisarei da sua ajuda. Saberá que em muitas das suas aventuras de criança eu não poderei estar junto amparando contra as possíveis quedas, mas lhe explicarei todos os cuidados que ela deverá ter e, caso ela caia, estarei sempre perto para lhe socorrer. Saberá que pedir ajuda às pessoas não é sinal de vergonha ou fraqueza, faz parte da natureza humana, afinal somos imagem de um Deus Trino que em si só é uma comunidade de amor e ajuda mútua. Saberá também que suas habilidades e virtudes não a qualificarão para se sentir melhor ou superior a alguém, apenas diferente. Saberá olhar para as pessoas para além de suas aparências, entendendo que o mais importante é o que elas trazem em seu interior. Provavelmente conseguirá enxergar primeiro com mais facilidade as qualidades de alguém do que suas limitações. Por fim, saberá ser grata a Deus por poder ter a oportunidade de aprender de forma bem concreta tantas coisas que muitas vezes só conseguimos compreender com muito suor e sofrimento. Obrigado Deus por eu ser desde sempre para minha filha esse super-herói frágil.  
sexta-feira, 25/07/2014 | 03:01

Anão não-diplomático com muito orgulho

Não se fala em outra coisa na mídia da recente tentativa de ofensa de Yigal Palmor ao Brasil, chamando-o de anão diplomático. Não sei se a ofensa está no “anão” ou no “diplomático”. Sendo eu anão, creio que realmente seja muito ultrajante chamar alguém de diplomático. Que carinhosamente chamo de pessoas vaselinas que não resolvem nada.

Chamar o Brasil de anão, no intuito de menosprezá-lo, não faz o menor sentido. Primeiramente porque somos conhecidos como “gigante pela própria natureza”. Depois, os anões não são menos habilidosos que uma pessoa alta. Assim como nunca vimos terroristas ou chefes de Estado criminosos anões. Nesta perspectiva seu tiro saiu pela culatra e provavelmente matou mais algumas centenas de inocentes palestinos em Gaza.

Sei da complexidade histórica e política desse confronto. Mas eu me envergonharia sim e me sentiria ofendido de saber que fomento uma guerra em nome de uma promessa de uma terra santa feita por um Deus da Paz (e não da matança, muito menos de inocentes). Onde a terra mais santa se chama ser humano.

E por falar em ofensa, não entendi até agora a razão porque ficaram ofendidos quando ouviram a verdade do Brasil. Se bem que sempre ouvi dizer que a verdade dói, e agora percebi que ela pode ofender também.

Mas não precisa cultivar ódio contra esse texto. Somos parentes na fé, sou católico. E também não precisa cultivar o ódio contra os anões. Eles são gente boa. Talvez não diplomáticos, o que considero uma virtude no contexto atual. Rezo pela paz verdadeira nessa região. Shalom Adonai!
terça-feira, 16/10/2012 | 08:01

O grito estava preso na garganta!

Sim, eu fui o grande vencedor do Prêmio Multishow de Humor 2012. E hoje posso soltar  esse grito que estava preso na garganta, com a alma leve e sensação de missão cumprida. Hoje, como diria o Serginho Mallandro: "Minha vida está mais Rá! Yeh-Yeh! Salsifufu. Lua  da Cristal". Enfim, está mais feliz!



"Se um dia eu quiser vencer, tenho que vencer a mim mesmo". Esse foi espírito que me guiou durante toda a competição. Sai da minha "zona de maior conforto", que é o stand-up, e me desafiei em cada fase do programa, até o fim.



Aprendi demais com outros competidores. Não somente lições de humor, mas, sobretudo, lições de generosidade e companheirismo. Como cresci com as críticas, mesmo por vezes duras, dos jurados. Pois quem ama, não esconde os erros cometidos pela pessoa, mas os aponta para que ela possa um dia ser uma pessoa melhor.



Hoje, olhando para trás, me emociono ao ver essa trajetória. Emociono e me orgulho, por saber, que por detrás disso tudo, existem várias pessoas que estiveram juntas e possibilitaram essa caminhada. Pessoas que vão desde as primeiras encenações nos teatros de Igreja do grupo MEJ, minha família, minha namorada Carol e amigos que sempre me apoiaram, os humoristas que me ensinaram tanto e sempre abriram as portas para mim (aqui entraria uma lista muito grande, mas todos sabem quem são), a produção do programa que acreditou em mim na seleção para estar entre os 24 concorrentes, até os grandes mestres de humor e teatro que me deram aulas que foram importantíssimas para meu aprimoramento. Sem contar nas diversas formas de apoio e carinho que recebi do público pelo Brasil todo.



Por causa de todas essas pessoas, ao gritar "É Campeão", meus olhos enchem de lágrimas, pois representa todo o resultado do carinho recebido por várias pessoas. Recorda-me o quanto acreditaram em mim e fui amado. O quanto eu sou feliz!



Mais uma vez obrigado a todos!